Compreender o uso de aversivos e seus efeitos no treino canino

Atualizado: Fev 28

Porque é uma prática tão universal?

O castigo positivo administrado com suficiente intensidade, consistência e no tempo certo, resulta numa supressão do comportamento indesejado.

Apesar de ter como consequências, problemas a longo prazo, o efeito imediato é a tentativa de escape, por parte do cão, à estimulação aversiva.

O grande problema é o facto dos tutores que usam aversivos não estarem cientes de:

a) Problemas gerados a longo prazo.

b) Outros métodos alternativos com menos consequências.

Um estímulo aversivo é um evento que funciona:

a) Para invocar o comportamento que sofreu supressão no passado.

b) Como castigo, se presente, imediatamente, após o comportamento indesejado.

c) Como reforço, se for retirado imediatamente após o comportamento.


Consequências do uso de aversivos:

a) Medo, ansiedade, pânico.

b) Tentativa de escape ao estímulo.

c) Comportamento agressivo contra o estímulo (tutor).

d) Automutilação (lamber ou morder patas).

e) Redução na criatividade e resiliência.

f) Depressão quando impossível escapar/prever estímulo que se mantém a longo prazo.

Castigo positivo vs. Extinção

“Not only does extinction yield a more lasting method of behavior reduction than temporary suppression under punishment, an extinction procedure is also less likely than punishment to produce troublesome aversive emotional side-effects” (Fraley, 2008, p. 397)


Problemas do castigo positivo

Esta técnica é eficiente na supressão do comportamento indesejado. Com este comportamento indesejado a ser suprimido, outros comportamentos vão emergir (desejados ou não). No entanto, comportamentos desejados podem ser instalados muito mais facilmente com a extinção (técnica utilizada por treinadores com métodos positivos) do comportamento que está a ser punido do que com a punição em si!

O comportamento indesejado pode ser suprimido a longo prazo através do castigo se as emoções resultantes forem suficientemente fortes para causar uma Fobia ou um Transtorno de stress pós-traumático.

Outro dos grandes problemas é que estímulo que causava o castigo pode generalizar para outros estímulos que o cão considere semelhantes. Ou seja, um cão que morde o tutor porque este tem o pau com que lhe costuma bater, pode passar a morder todas as pessoas que vê com alguma coisa na mão! Se essa pessoa for uma criança e o cão de porte grande, podemos agora perceber as notícias “Pitbull mata criança sem causa aparente”.

Mas o castigo positivo resulta?

No imediato, sim, porque suprime o comportamento.

A longo prazo, não. Os métodos positivos são muito mais eficientes e não têm efeitos secundários. Para além disso, a punição tem como consequência uma resposta de defesa por parte do cão, que diminui a eficácia do castigo positivo. (Cada vez é preciso bater com mais força)

“A study carried out by Hiby, Rooney, and Bradshaw (2004), comparing the behavior of dogs trained with punishment-based methods on the one hand, and added reinforcement-emphasized methods(…), found that dogs reported to be trained with added reinforcement-emphasized methods scored highest on obedience scores.”

“Dogs reported to be trained with added reinforcement emphasized methods were also found to have the fewest current behavior problems(…)”

Referências:

Lerman, D. C., & Vorndran, C. M. (2002). On the status of knowledge for using punishment: implications for treating behavior disorders. Journal of Applied Behavior Analysis, 35, 431–464

O´Heare, James (2017). The Science and Technology of Dog Training. 119-125


Se adquiriu um cão, reforce os comportamentos que quer que ele tenha, ignore os maus comportamentos. Se não sabe como diminuir os comportamentos indesejados, procure ajuda profissional.

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